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Graça Razera explica o porquê dos seus vídeos de dança.

Quando fiz estes 3 ensaios de dança, sendo estes:

1. Graça Razera – Vermelho,

2. Graça Razera – Vinho e

3. Graça Razera – Black (Importante informar que sou amadora e faço por hobby, pois sendo Hiperativa, a dança me ajuda a aumentar a concentração na leitura e na escrita),

Não imaginei que fosse causar mal-estar, principalmente com este, o BLACK, em alguns núcleos bem conservadores (para não dizer: retrógrados) presentes na comunidade conscienciológica em Foz do Iguaçu (CCC). Teve muito comentário… para variar.

Sempre dancei sozinha, de madrugada, quando meus olhos não conseguiam mais decifrar as letras em preto e branco, quando o café havia esfriado, o chimarrão azedado, e o silêncio da noite se fazia pleno. Ligava o rádio baixinho, para não acordar ninguém, usando minhas fitas k7, e dançava num corredor estreito de um minúsculo apartamento (hoje considerado uma kitnet) onde vivia com minha família composta por seis pessoas, 4 gatos, e quase um cachorro. Tinha menos de 19 anos. E por 3 anos, minha vida foi estudar das 8 às 22h de segunda a sexta-feira. As madrugadas eram o tempo que eu tinha para fazer as tarefas de casa dos 14 professores que tinha por dia em três endereços diferentes da cidade de Porto Alegre. 

 

Como consegui estudar tanto?

 

Vamos começar pelo começo. Meus Pais não tinham condições para me colocar em uma escola particular. Então, aprendi a andar de salto alto com 14 anos para 15 anos, quando fui escolhida pela turma da Oitava Série do Instituto de Educação a concorrer a Rainha da Escola, representando pela primeira vez no IE, as garotas do Primeiro Grau. Sim, porque no magistério, só havia “mulherões”. Nós, éramos garotas! Mas o sucesso para mim sempre decorreu dos fracassos. Acredito que eu tenha sido escolhida porque por ser mais velha na turma. Havia repetido na sexta série e em seguida, havia também repetido na sétima série. Quando perdi minha melhor amiga Renata Trein (que havia mudado de colégio), perdi também meus raros amigos.

 

Prometi a mim mesma que nunca mais iria repetir de ano e nunca mais repeti de ano!

 

Eu era do Paraná, falava diferente, escrevia diferente, me vestia como uma menina da roça, era toda tímida e só me divertia correndo com os meninos jogando futebol, voley, handboll. O pátio era o lugar onde eu esquecia que era tão diferente. Mas quando chovia, meu lugar era ficar no banheiro, sentada no vaso sanitário, esperando o sino bater. Não podia conversar com os meninos que tinham seus segredos. E não tinha assunto com as meninas porque era muito pobre. Minhas roupas e uniformes vinham de doações. Falava errado… Então esperava… as meninas conversavam de tudo no banheiro. Nada que eu entendesse…  Renata era diferente comigo. Me fazia rir sem ter vergonha disso. Adorava almoçar com a família dela. Ela alegrava meus dias! Mas estava longe.

 

Quando recebi a informação de que a turma havia me escolhido, apenas sorri sem saber o que o Desfile de Rainha significava. Sorri com meus dentes tortos, todos desalinhados. Porque aquilo foi engraçado. E em mim emergiu um enorme sentimento de “não decepcionar a turma”. Jamais me esquecerei dos olhares dos colegas quando entrei na sala, toda suada e descabelada, e recebi a notícia. Meu olhar era o mesmo olhar dos meus colegas com um enorme: – Será?

Essa era a pergunta que eu também me fazia.

 

A primeira providência foi “não sorrir”. Claro, meus dentes tortos iriam chamar a atenção para algo ruim. Eu não tinha quadril, era estreita. Não sabia o que era caminhar com salto alto. Nem tinha como ter um par. Mas comecei a conversar com cabeleiros que eram Gays e pedir ajuda, pois eles entendiam de mulheres mais do que eu. Eles riram e me “adotaram”. Ganhei cabelo e maquiagem. O meu amigo se chamava Jorge e morreu de Aids anos depois… Era estranho caminhar esticada. E comecei a treinar em meio-fio na vinda e ida ao colégio. Todo dia eu ensaiava. A roupa, eu mesma desenhei, pois queria ser figurinista e havia aprendido a desenhar com o Clodovil nos programas de TV que minha mãe assistia. Consegui com ela, escondido de meu Pai, a verba mínima para comprar o primeiro par de sapato alto (escarpam preto envernizado salto 10) e escolhi o tecido mais barato (um lamê preto e dourado, sem forro, então tinha que caminhar com as pernas bem fechadas para ningém descobrir).

 

Fiquei entre as dez candidatas finais. A rainha foi vaiada e eu fui tratada o resto da festa como se fosse a Rainha. Minha mãe e meu Padrinho tomaram as dores. (Ambos escondidos de meu Pai que viajava como caminhoneiro). A turma me reelegeu no ano seguinte. E com isso, outro problema: como conseguir um novo vestido? Meu Pai descobriu e brigou muito comigo e com a minha mãe. Fora de cogitação desfilar novamente.

 

Então sem coragem de revelar à turma esta verdade, a de que meu Pai não permitia que eu desfilasse novamente, eu apenas baixava a cabeça e voltava para o banheiro, para chorar em paz. Sempre que descia as escadarias, na medida que a data se aproximava, os colegas diziam frases de coragem, de força do tipo: – Este ano será nosso! Você vai vencer de verdade!!!

 

Eu ria chorando por dentro. Eu ia nos ensaios, como se nada tivesse acontecendo. Brincava com as colegas dizendo que eu precisava apenas de ser Miss Simpatia, para poder ganhar a Bolsa para fazer Cursinho Pré-Vestibular. Mas elas não podiam me fazer sorrir, se não os Jurados iriam descobrir meus dentes tortos. Claro que elas me sacaneavam, na hora que eu tinha que fazer a ” paradinha do Pivô”. E o desafio era me manter séria. E depois quando virava de costas ao Jurado, explodia de rir.

 

Uma colega muito querida, negra, adotada por uma família de alto poder aquisitivo, se aproximou de mim e sem saber, ofereceu o vestido de madrinha de casamento, rosa grená, curtinho, de tafetá, com manguinhas de princesa, decote V nas costas, e na frente todo fechado (Pensei comigo, pelo menos posso ir… não vou faltar como fiz na terceira série, quando meu Pai me proibiu de dançar na festa junina com meu colega da terceira série, em que a Professora Marilda me deu uma bronca enorme na frente de toda a turma aos gritos dizendo que eu havia deixado meu colega “a ver navios”… Não entendi a expressão.Já havia quase repetido de ano acusada por “colar” na questão de Santa-Maria-Pinta-e-Nina… Apenas me mantive calada, congelada, de pé, diante de todos, levando aquela bronca). Decidi ir escondida de meus Pais e disse a mim mesma:

 

- Desta vez, desfilo e volto pra casa, sem falhar com a minha turma. 

 

Na véspera do desfile, sozinha no apartamento, pois meus pais e irmãos haviam viajado, eu estava de recuperação na escola (para variar…), eu apenas chorava… chorava em paz pelo menos, sem saber como resolver o problema. A regra do desfile era Vestido de Gala porque o concurso ocorrera no Jockey Club. E meu vestido emprestado era formal, curto até o joelho. Comportado demais. Formal demais. Mas era o que eu tinha.

 

Então, encostada na parede, desci escorregando lentamente e chorando já sem forças, me esmelinguindo… como se fosse uma goteira escasseada… e quando pousei no chão, toda desmontada, avistei debaixo da cama da minha irmã, a fantasia de bruxa que minha Avó havia feito com tanto carinho para ela. Uma saia de véu negro em forma de bailarina, um bustiê preto com lantejoulas prateadas.

 

Parei de chorar! E meus olhos certamente diziam: – Será?

 

Peguei o vestido de senhorinha, vesti de trás para frente, colocando o decota das costas V profundo para a frente. Antes, vesti o bustiê preto com lantejoulas prata. Ficou perfeito! Restava arrumar a parte das pernas. Dobrei a barra do vestido para dentro, bem acima dos joelhos, e por baixo, coloquei a saia de bailarina de tule preto. Calcei meu escarpan preto de verniz salto 10, as mangas bufantes, pronto! Eu tinha o vestido de gala!!!!

Era noite de sexta-feira. Aquela alegria compensou o sofrimento de um ano inteiro!!! Eu tinha 15 para 16 anos. Aquele desfile significava muito mais do que ganhar uma bolsa de estudos.

 

Fui ao meu amigo Jorge, que me maquiou e fez o meu cabelo no ano anterior e com ele envelheci uns 5 anos e cinco centímetros de estatura com o cabelo cheio de laquê. Consegui carona com minha colega Giovanna que também iria concorrer mas com o vestido que eu havia desfilado no ano passado. Estávamos felizes por sermos a esperança do Primeiro Grau. Eu não estava sozinha! Estava com ela!!!

 

Chegando no Jockey Club, só glamour… Paetê para todo lado nos mulherões do Magistério, deusas gregas, lindíssimas. Estava convencida de que eu não tinha a menor chance, mas estava lá para não decepcionar a minha turma e me divertir uma vez na vida como se pertencesse a este lugar.

 

Minha colega que emprestou o vestido me olhou e disse-me: – O que você fez com o meu vestido? Expliquei que devolveria intacto pois eu mesma havia apenas dobrado e costurado a mão. Nos bastidores, todas nervosas, tensas, e aquelas cotoveladas, pisadas nos pés, correria … e eu, calma, aliviada, sem acreditar na minha façanha… Devo admitir que o filme  … E o vento levou“ me serviu de inspiração com aquela cortina verde que virou um belo vestido…

 

Começou o desfile… belas mulheres em fila, corredores largos, vestidos com paetês de todas as cores…músicas lindas tocando. Eu apenas ouvia os gritos da minha torcida. E mantinha o foco na linha imaginária a minha frente sem sorrir, séria. Apenas olhava nos olhos de cada jurado com movimentos leves e suaves.

 

E as finalistas foram sendo chamadas até que minha colega foi chamada e eu a aplaudi com muita alegria, afinal, estava com o vestido que eu havia criado.

 

Até que chamaram a Miss Simpatia. Não ganhei. Tudo bem, estava mais uma vez entre as dez, de um total de 30 ou 40 candidatas, sendo que 02 do primeiro grau estavam dentre as 10 !!!!!

 

Até que minha colega ganhou a Primeira Princesa!!! E me emocionei com tanta alegria!!! Ela tinha um porte lindo, olhos expressivos, alta, merecia!!! E era do Primeiro Grau!!!

 

Até que houve o maior mistério para a Rainha. Disseram o número e continuei aplaudinho a minha amiga, sem estar muito preocupada com a vencedora. Até que um Jurado apontou para o meu número pregado no meu quadril. E eu ainda não tinha entendido. E as pessoas começaram a rir e a apontarem também. E o apresentador repetiu o meu número. Isso ocorreu em 1986, 1987.

Eu havia ganho o título de Rainha do IE.

E um megaproblema surgiu: como contar ao meu Pai?

 

Eu sorri mas meus dentes tortos se mantiveram ocultos, pois chorando de alegria, costumo tampar a mão sobre a boca! Minhas colegas riam, sem que os Jurados soubessem o real motivo.

 

 

Assim, comecei a desfilar. Ganhei 6 bolsas de estudos para pré-vestibular em outros desfiles. Doei três bolsas para colegas que não podiam pagar por um. E fiz três cursinhos. Um por ano até terminar o segundo grau. Não entrei mais em recuperação, nem repeti de ano. Mas minha rotina era estudar de manhã, a tarde e a noite. E nas madrugadas, e relaxar dançando.

 

Em 1992, entrei para a primeira turma de Psicologia da UFRJ. E nunca mais parei de estudar e de dançar até hoje. Mas sempre dancei escondido. Dançava para mim mesma. Até que aos 40 anos, decidi expor meu estilo na internet, para evitar rumores de que dançasse de modo que não fosse o meu estilo. Foi o que fiz graças ao meu grande amigo Chico.

 

Então dançar sempre foi um desabafo.

Quando fiz este clip BLACK eu queria mostrar que o corpo é algo também forte tanto quanto a alma, o espírito que viaja e voa para outros mundos.

Minha forma de voar era dançando. Ainda é! (2018).

A beleza do corpo em movimento é a mesma de uma onda quebrando no mar, de um pássaro alçando vôo, da areia mexida pelos pés das crianças pequenas.

 

As mulheres não podem falar com a BOCA, mas podem falar com o CORPO todo. E é isso que a Dança Árabe me ensinou e me ensina. Eu me imaginei dançando para este grupo ultra xiita dentro da CCCI que se imagina talvez o supra-sumo da pureza. Este falso moralismo apenas esconde talvez um imaginário que faça enrrubecer os mais adéptos dos estilos XXXX.

 

Não sou por outro lado, favorável ‘a promiscuidade e vulgaridade que é moda hoje. Acho chato, pouco criativo, sem afeto, sem alma, sem vida, grosseiro, caricato.

 

Preferi – diante disso – um estilo mais para o Ballet. Mas isso não quer dizer que eu não expressasse a minha integridade artística de maneira saudável, artística, enfim, sublimada como disse Freud.

As artes, o melhor delas, vem da sublimação.

Dançar, falar bem, viver é uma expressão humana. Sentir fúria, também. Errar, também.

 

O meu grande amigo Francisco Mauro, Chicão, foi quem me dirigiu. 

Dizendo-me: – Graça, agora que você dançou com o vestido vermelho e o vinho, me mostre o seu lado guerreira, o lado fera que eu sei que você tem! Mas olhe pra câmera, não se esconda. Não precisa sorrir! Quero o seu olhar, a sua força, a sua fúria!

E foi o que fiz.

Tentei fazer.

Este lado é também parte da nossa humanidade. A Natureza é às vezes furiosa! O que são as trovoadas????

Uma vez na vida!

Esta foi a minha vez.

Então, aqui está no ar novamente. Pra sempre!!! Meu lado mais selvagem e furioso!!!

 

E os incomodados que se retirem.

É o mais ético a fazer.

Assim o fiz quando parti em silêncio, de Foz em 11/11/2014 com toda a gratidão pelos amigos que deixei e que convivi por 24 anos sem trégua, sem pausa, ocultando – em nome de um trabalho maior – muito de mim.

Se não quer ver a beleza no corpo de alguém, então “fure os olhos”, frase de uma mãe de um filme contra a repressão feminina no Oriente a um filho que se tornou Xiita. Faço dela, as minhas palavras.

 

Na época, a primeira pessoa que viu foi o Prof. Waldo. Ele não gostou. Mas eu gostei. Ele detestava preto. Gosto não se discute. Ele fazia coisas que eu também não gostava. E assim a vida segue. Sempre fomos francos. Cada um na sua área. Foi assim desde o começo até o fim. Apesar do monte de gente metida que interferiu ao final, agravando o que já foi muito difícil para nós dois, a separação consensual.

 

Ah… uso mais braços e deslocamentos do Ballet, alguns passos que lembram o Flamenco (que amo), e dentro da Dança Árabe, este estilo vai mais para o TRIBAL, que vem dos Índios, da Natureza, daí as penas, pedras, como se eu emergisse do buraco, das cinzas após ter sido queimada na fogueira, para dizer que “Minha alma é imortal” e que o centro da vida está no feminino sim. Sigo a Dança Árabe Moderna que se utiliza mais dos braços e mãos, que quadris e toques de sensualizações (embora isso não seja o forte de meu estilo, pois sou travada, dura e estreita).

 

 

Graça Razera

Curitiba, 11/01/2018

Bem vindos.

Na Categoria Atividades Profissionais pretendo compartilhar com vocês algumas ideias que tenho e executo no meu campo profissional de trabalho. A Eletrônica é uma das minhas paixões nesta vida. Aprendi muito com meus avós Francisco Mauro, Humberto Mauro e meu pai Carlos Eugênio Mauro o meu embasamento que tenho sobre o fascinante mundo da Eletrônica. A Eletrônica de hoje é muito diferente da Eletrônica que meu pai praticava, mas a paixão continua aumentando. É impressionante como novas mudanças estão a caminho em um ritmo muito acelerado com novas descobertas. A todo dia há uma quebra de pequenos paradigmas que unidos nos revelam um futuro brilhante e promissor em todas as áreas onde usamos Eletrônica.

Na Categoria Saúde: O que estou fazendo para melhorar pretendo dividir com vocês o que eu estou fazendo para acertar meu estado de saúde física e mental. A Harmonia e o bom senso é que devem prevalecer. Sou contra radicalismos e não sou muito ouvido à pessoas que ” acham” que estão certas e, realmente, nunca experimentaram e obtiveram algum resultado para servir de exemplarismo. Em contra partida, há pessoas que estão desenvolvendo novas técnicas de abordagens destes assuntos de modo exemplar e fantástico. Com coerência, experimentação embasada e muito otimismo quanto ao processo inteligente que rege nossas vidas, chegaremos a um bom resultado.

Na Categoria Conscienciologia, buscarei dar uma visão pessoal do meu aprendizado com esta ciência maravilhosa que veio para melhorar nosso planeta.

Estou aberto a receber comentários que possam somar para que melhoramos nosso percurso por aqui.

Vamos em frente!